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“... quem sabe faz , quem não sabe ensina. Será ?”

12.01.2018

 

Há pouco mais de três anos iniciei um rascunho ( posteriormente publicado em forma de artigo “por aqui” ) com esse pensamento:

 

" O que vale mais em nosso mercado, qualidade ou publicidade? Conhecimento ou agenciamento?

 

Infelizmente a resposta com mais acuidade não nos esclarece nada: "depende"!


... existem profissionais capazes, desempenhados papéis importantes no mercado. Existem alguns medíocres ocupando esses mesmos espaços e existem alguns regulares atuando com boa figura. "

 

Pois bem. Uma das supostas imponderabilidades de maior recorrência no mercado de áudio nacional, fruto de absoluta informalidade e marginalização ( tanto na formação dos profissionais quanto na regularização de carreiras, salários, etc. ), está na aceitação e/ou avaliação de “ quem está apto a quê? “, e é sobre essa "legitimidade" ( ou a ausência dela ) que gostaria de debater.


Obs: me recuso a tratar dessa qualificação/avaliação por "meros" aspectos burocráticos como registros e licenças.

 

À grosso modo em estúdios, essa avaliação pode ser feita através de uma comparação direta com produtos similares bem sucedidos no mercado. Profissionais capazes se aproximam, equiparam ou superam com seus trabalhos, aquilo que o mercado acolhe como bom. Isso permite uma seleção bem mais objetiva ( e talvez justa ) dessas "capacidades". 


Em shows, televisão ou cinema a relação do profissional com o cliente acontece em uma dinâmica de maior cumplicidade ( em contraponto à uma habitual complacência em estúdio ). Seja qual for a relação de trabalho entre eles ( patrão x empregado, cliente x prestador de serviços... ) o que vale é a avaliação de quem contrata, e isso pode ser a despeito ou em concordância com a opinião de terceiros ( ou de um padrão preestabelecido ).

 

Em televisão e cinema, apesar de um número maior de variáveis ( em relação à música em estúdio ), ainda é possível ( e plausível ) aplicar o princípio das comparações com produtos similares para efeito de julgamento do trabalho. Mesmo assim, analogamente ao que acontece em shows, sendo medíocre, assustadora ou inspiradora, a capacidade profissional se confunde muitas vezes com mera simpatia ( o grau de profissionalismo de quem contrata é absolutamente determinante nesse "julgamento" ). Fato é que essa "tendenciosidade" pode sustentar um profissional no mercado por muito tempo e isso é claro, não acontece somente em áudio profissional. Aqui não podemos desconsiderar também, uma certa escassez de mão de obra especializada em alguns postos o que de certa forma, justificaria esse cerceamento de escolhas. 


Já comparações capazes de deslustrar ou polir de forma justa, a “fama” de um profissional em shows por exemplo, são absolutamente insólitas. A enorme quantidade de variáveis faz com que elas tendam à abstração. Notem aqui amigos, que essa realidade é tanto frustrante quanto reconfortante. Todos passamos por experiências que gostaríamos de poder apagar de nossos currículos. 


A condenação de um profissional por amostragem mínima, em um ambiente de inúmeras variáveis como é o de shows, é um ato de total covardia e irresponsabilidade. Por outro lado, um belíssimo e distinto trabalho pode facilmente passar despercebido. Isso revela duas das mais cruéis e preocupantes facetas do mercado de “som ao vivo”: forjar ícones e cortinar talentos. Voltaremos a isso mais tarde.

 

Lecionar
A frase utilizada no cabeçalho desse artigo pertence à peça "Man and Superman" de George Bernard Shaw escrita em 1903. Trata-se de trecho de um dialogo entre dois personagens ( Bob e Jane ) em que um deles se queixa de ter sua obra literária criticada por seu professor de composição ( escrita ). A amiga então ( de modo complacente ) dispara esse consolo: " Não ligue para o que ele disse Bob. Lembre-se de que aqueles que podem, fazem; aqueles que não podem, ensinam. " 


Por aqui, ouvi muitas vezes: " quem sabe, faz; quem não sabe, ensina. " Traduzida dessa forma, é uma estupidez. Simples assim. 
 

Mas, se apossar de um pequeno fragmento de texto, imerso em uma comédia teatral, construída sobre o tema Don Juan mas permeada por filosofia "nietzschiana" e transformá-la nessa "sentença de botequim", parece ser mesmo uma habilidade especial de "animadores de palestras" para docentes. Não vou endossar esse "debate" por aqui. Seria irresponsável e pretensioso, e isso sim é incompatível com a atividade de educador. 


Em nosso mercado ( acho que felizmente ) essa máxima não parece habitar o consciente das pessoas. Pelo contrário, só costumamos qualificar como aptos a ensinar, os que julgamos capazes de fazer. Isso porém amigos, nos deixa em uma armadilha. É possível que um profissional extremamente capaz, munido de experiência e saber reconhecidos por todos, não possua predicados importantíssimos para o ato de ensinar, como eloquência por exemplo. Mas pode ser também, que nossa total ignorância sobre uma determinada matéria, nos faça julgar como capaz de ensinar, alguém sem o indiscutível predicado do saber correta e lucidamente aquele assunto. Não me refiro aqui à utopia do conhecimento absoluto. Asseguro-lhes que isso não existe, especialmente em nossa área. Mas qualquer pequeno ensinamento demanda ser em absoluto, preciso, correto e contextualizado. Fazê-lo de outra forma é uma violação que pode se tornar algo extremamente grave. E ainda pior, isso pode ser feito com grande eloquência e acabar arrebanhando um grande número de "mal informados".

 

Percebem a responsabilidade inerente a essa atividade? 
Somos livres em nossas atividades, mas " liberdade pressupõe responsabilidade".


CONTINUA...

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