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POR QUÊ ?: O valor de não saber e dizer não sei

01.07.2017

Não querer aprender significa continuar com o mesmo nível de conhecimento existente.

Descobri que quando você se diz um engenheiro de áudio, as pessoas esperam que você saiba as coisas.

 

A palavra “engenheiro” parece impressioná-los. Suas sobrancelhas levantam, e eles imediatamente assumem que você é bom em matemática. (Eu sou razoável.)

 

Mesmo se você usar um título menos impressionante e mais fácil como “o cara do som”, a pergunta padrão e tão comum que até se tornou uma piada entre os profissionais da área certamente virá e continuará a indicar uma expectativa de conhecimento - “Então você sabe mexer em todos aqueles botões ?”(Não, eu só ajusto nos vermelhos e pronto kkk).

 

Ao contrário de outros campos da engenharia, não precisamos de licença para executar o nosso ofício. Não há nenhum conselho designado pelo estado para nos verificar. Queremos obter resultados ou não. A prova está na mixagem.

 

Com a expectativa de conhecimento, mas nenhum processo oficial de habilitação, é lógico perguntar-se “Quanto eu realmente sei sobre o que faço? ” Por exemplo, eu diria que é provavelmente razoável supor que a maioria dos profissionais de áudio ao vivo têm algum conhecimento básico de como um alto-falante funciona.Mas quantos vocês acham que ficariam confortáveis para explicar esse conceito em uma sala de aula? Quantas iriam incluir uma menção a lei de Faraday sobre indução? Provavelmente um número bem menor, e eu aposto que apenas um punhado sabe a fórmula para encontrar a reatância indutiva da bobina do falante. (É 2πfL.)

 

Claro, nós não precisamos desta fórmula para mixar um show. (E, inversamente, muitas pessoas que conhecem esta fórmula não poderiam mixar um show.) Então, por que isso importa? Bem, certamente aprofunda nossa compreensão sobre o que está acontecendo.

 

Isso nos ajuda a fazer o nosso trabalho melhor e também tem a vantagem conveniente de garantir aos outros que sabemos o que estamos fazendo. Você quer contratar um engenheiro que projetou uma ponte, mas não sabe explicar por que ela permanece de pé? Artistas confiaram em nós para manter a situação do áudio sob controle , e os clientes e gerentes de produção querem saber que seu dinheiro está sendo bem gasto.

 

Como em qualquer outro negócio, se estamos pedindo uma “aprovação” para comprar alguma coisa, precisamos ser capazes de explicar o que faz e por que precisamos de tal coisa. (Nota:. Em situações em que uma alternativa mais barata seja satisfatória, não se esqueça dos ‘porquês’’.

 

Dessa forma, quando você se encontrar em uma situação desfavorável terá mais probabilidade de conseguir o que pediu.)

 

Valores inerentes

Os engenheiros são, penso eu, desconstrutores patológicos. Eu não quero dizer isso de forma negativa, e eu absolutamente me incluo neste grupo. É uma mentalidade. Nada me fascina mais do que tentar descobrir como algo funciona. O que está debaixo do capô do carro? O que faz ele funcionar?

 

Eu era, para o deleite de alguns dos meus professores (e o desespero dos outros, tenho certeza), a criança do “porquê”. Apenas me contar um fato não era suficiente. Eu queria saber o porquê.

Eu acho que eu tinha uns oito anos quando eu decidi construir um forno solar. Quando minha mãe me encontrou agachado no quintal sobre uma bacia cheia de água e coberto por folhas de alumínio, ela poderia ter dito “Isso não vai funcionar.” Mas ela não o fez. Ela me deu uma cenoura para cozinhar.

 

Então, eu descobri por mim mesmo que não funcionou, e também o porquê não funcionou. Folhas de alumínio refletem o calor, não absorvêm. Eu me lembro deste fato tão claramente por conta do poderoso “por quê.” Eu duvido que estaria contando a história se esta terminasse com a frase : “Isso não vai funcionar. Vá limpar seu quarto.”

 

Portanto, há um valor inerente em aprender algo, e significa também que há um valor inerente em não querer saber , devemos dizer “não sei”, antes de podermos aprender. Este é muitas vezes o ponto de atrito para as pessoas. Pode ser difícil dizer “eu não sei.”

 

Alguns acham que admitir é um sinal de fraqueza, mas eu acredito que é o oposto. É a oportunidade de aprender alguma coisa, o que é bom porque depois nós vamos saber mais. Não querer aprender significa continuar com o mesmo nível de conhecimento existente.

 

Na medida em que nossa área está avançando, isto certamente não é uma abordagem ideal. Eu vejo que alguns acham difícil acompanhar a marcha do progresso tecnológico, embora gostaria de sugerir [a eles] que eles estão na área errada. Eu, por exemplo, acho que é emocionante estar envolvido em uma área que há sempre mais para aprender.

 

Dando permissão

Durante uma de minhas primeiras visitas a um fórum online de áudio, eu postei uma questão técnica. Ainda me lembro da resposta textualmente: “Eu não sei por que você precisa saber isto.” Qual é o cerne de uma atitude como essa em um fórum de tecnologia?

 

A definição de um fórum é: “um lugar de encontro de especialistas para discussão” - não inspira o sentido de um grupo de briguentos que pretendem saber tudo – senão seria o cego guiando outro cego - mas, muitas vezes, é assim que acaba

 

Compare a resposta acima para a que eu recebi pela primeira vez que chamei o meu (agora) mentor, Ethan Winer. Eu tinha seu livro (The Expert Áudio), tinha lido seus artigos e tinha visto os seus vídeos. Eu estava completamente convencido de que ele sabia quase tudo.

 

Minha questão era sobre o desvio de fase entre elementos resistivos e capacitivos com a frequência de corte de um filtro RC. Ele disse: “Eu entendo o que você está perguntando, mas eu não sei a resposta.” Foi inesperado - como ele poderia não saber?

 

A melhor maneira de descrever meus sentimentos neste momento é compará-lo com o tempo que passei duas horas gravando com pó de prata a tela do meu Etch-A-Sketch: “Bem, agora o que ?” O que me surpreendeu não foi que ele não sabia, mas sim que ele admitiu tão livremente.

 

Esta foi um enorme revelação - se especialistas no assunto podem admitir quando não sabem e não explodem em chamas ou viram para pilares de sal, posso também. Há uma liberdade maravilhosa que se instala logo que você se dá a permissão de ‘não saber’, assim o caminho para o conhecimento se tornará claro. Não é sobre quem está certo, é sobre o que é certo. (Nós finalmente encontramos a resposta com um professor no MIT, então nós dois aprendemos.)

 

Visão Ampla

Então, como podemos colher benefícios ​​a partir desta abordagem filosófica de estar confortável com a admissão de que há mais conhecimento a ser obtido em uma situação?

 

Lembro-me de uma discussão no fórum em que um engenheiro de FOH estava reclamando que uma nova console digital popular reagiu mal ao aumento das temperaturas em um festival ao ar livre. À medida que o dia ficou mais quente, segundo ele, o som da console tornou-se “apertado” e “comprimido”, perguntou se alguém tinha experimentado o mesmo problema.

 

O que se seguiu foi milhares de opiniões sobre profundidade do bit accumulator , ponto flutuante , DSP e velocidades do ventilador. Todos os gurus de console estavam tão ansiosos para parecerem mestres que não conseguiram perceber que estavam operando em uma premissa muito básica e falha - que a console era a responsável.

 

A culpa real era  da “compressão de potência.” Também conhecida como compressão térmica, que ocorre quando as bobinas do falante aquecem. A resistência sobe, SPL cai, o engenheiro aumenta o volume para ter mais resposta e gera ainda mais calor. Os drivers HF geralmente são os mais afetados, então a resposta do sistema se inclina em direção ao LF. O sistema soa muito duro, o que seria absolutamente a causa da queixa mencionada acima.

 

Este é um problema comum, bem entendido, mas para se chegar a essa compreensão precisamos dar um passo para trás. Devemos estar dispostos a ter uma visão mais ampla e considerar a possibilidade de que algo “sabemos” pode não ser verdade.

 

Eu tenho uma teoria que “falsa certeza” desperdiça muito dinheiro e tempo no mundo da produção. Eu vi um console de iluminação de $10.000 ser declarada defeituosa quando o verdadeiro culpado era uma inversão de polaridade no cabo de dados DMX.

 

Eu vi alguém declarar que um driver HF de um alto-falante estava queimado quando a questão real era o cabo que estava acidentalmente conectado à entrada biamp, deixando o driver HF sem qualquer sinal de entrada. E um microfone condensador de $2.000  não funcionar bem quando sua linha de aterramento quebrou e anulou o caminho de retorno DC para alimentação fantasma.

 

É fácil dizer que o equipamento está “quebrado”, quando na verdade nós não entendemos o suficiente sobre como ele funciona. O número de chamadas para suporte que recebi, e que a solução era somente pressionar um botão ou conectar em algo, é a prova disto. (É claro que, às vezes, o equipamento está realmente quebrado.) Mas eu posso dizer que não há nenhuma situação em que nossas chances de sucesso não seriam melhoradas por melhorar a nossa própria compreensão.

 

Chave Q & A

Se você é como eu, você ri das fotografias antigas dos grande e volumosos equipamentos de áudio, que hoje são totalmente obsoletos. “Eu não posso acreditar que costumávamos fazer daquela maneira.”

 

Mas não era engraçado na época, era o melhor que podiam fazer. Claro, podemos fazer melhor agora, mas acho que daqui a 30 anos vamos olhar para trás e ver como fazemos hoje e rir pela mesma razão. Não pense por um segundo que chegamos ao topo da montanha.

 

A única coisa que nos levou de 1980 para agora, e que vai levar-nos mais longe, é a admissão da possibilidade de que há mais a aprender sobre este complexo, louco e belo campo que chamamos de reforço de som ao vivo.

 

Alguém tem que perguntar: “Esta é realmente a melhor maneira de fazer?” E alguém tem que responder “não sei.”

 


 

Traduzido na íntrega por Douglas Barba

Fonte: prosoundweb.com

 

Jonah Altrove é um experiente profissional de áudio ao vivo e está em uma busca constante para descobrir mais sobre seu ofício. 

 

 

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