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Cabos e Conectores - Informações práticas

06.01.2017

Muitas pessoas pensam que montar um cabo é um bicho-de-sete-cabeças. Na verdade, os únicos requisitos essenciais para isso são uma boa habilidade manual e atenção. A primeira, embora seja uma característica peculiar de algumas pessoas (uma espécie de "dom"), pode ser desenvolvida e aprimorada desde que se conheçam algumas técnicas (e macetes). A segunda, não é necessária somente para se montar cabos, pois é essencial em qualquer atividade.

 

Mesmo que o músico não queira se dedicar à atividade de "montagem de cabo" (a maioria pensa que isso é coisa para técnicos de eletrônica), em algumas situações, saber soldar um cabo pode evitar muitos problemas (No meio da madrugada, para encerrar uma gravação, o músico precisa de mais um cabo, ele tem um, mas o plug está solto... e aí?).

 

Tipos de cabos mais usados

 

Para as aplicações musicais básicas - aqui incluídos os instrumentos musicais, microfones, portastudios e conexões com sequenciadores e computadores, e excluídos os sistemas sofisticados de estúdios e palcos - a diversificação de cabos e plugs não é muito grande. São dois os tipos de cabos mais empregados na maioria das ligações:

 

cabo blindado mono: é constituído por um condutor interno (feito com vários fios finos) encapado por isolante e envolto por uma blindagem (pode ser uma malha entrelaçada ou uma trança ao seu redor), tudo isso encapado por um outro isolante (Fig. 1.a);

 

cabo blindado stereo: é constituído por dois condutores internos (cada qual feito com vários fios finos) encapados separadamente por isolantes, e envoltos por uma blindagem (também pode ser uma malha entrelaçada ou uma trança), tudo encapado por outro isolante (Fig. 1.b);

 

A blindagem feita pelos fios do condutor entrelaçado oferece proteção às interferências eletromagnéticas externas, que podem introduzir ruído sobre o sinal que está sendo transmitido.

 

O cabo mono é usado para transmitir os sinais de áudio de guitarras, instrumentos eletrônicos e microfones (não balanceados) aos mixers e amplificadores, transmitir sinais de sync (FSK, SMPTE, Tape Sync) entre gravadores e sequenciadores, e até mesmo em pedais de sustain e de controle. O cabo stereo, por sua vez, é usado em linhas balanceadas de áudio (usadas quando

o percurso é longo, para evitar que diferenças de potencial de terra, introduzam ruído), e em cabos MIDI. Cabe ressaltar que a maioria dos instrumentos que possuem saída de áudio em stereo usam duas saídas para cabos mono, e não uma única saída para cabo stereo (já a saída de fones, no entanto, usa cabo stereo).

 

Figura 1 - Tipos de cabos mais usados

 

Os plugs têm uma variedade um pouco maior do que os cabos, sendo que felizmente há uma certa padronização para determinadas aplicações, o que ajuda bastante quando se adquire equipamentos novos, que têm de ser conectados ao que já existe no sistema:

 

     jack mono: também conhecido como "plug banana" ou "plug de guitarra" é o mais usado para conexões de áudio de instrumentos musicais, como guitarras, baixos, teclados, módulos, etc (Fig. 2.a);

 

     jack stereo: é usado em fones e tomadas de insert de mixers (Fig. 2.b);

 

    plug MIDI: também conhecido como "plug DIN de 5 pinos em 180º", como o nome sugere, é usado nas conexões de MIDI, e também (há mais tempo) em equipamentos doméstico de áudio da Philips (Fig. 2.c);

 

     plug RCA: muito usado para conexões entre equipamentos domésticos de áudio (CD, gravadores, etc), mas alguns portastudios e outros equipamentos musicais semi- profissionais também usam. Muitos dispositivos de sincronização (SMPTE, FSK, TapeSync) de gravadores com sequenciadores usam também estes plugs (Fig. 2.d);

 

     conector XLR: também conhecido como "conector Canon", é usado basicamente em conexões de linhas balanceadas. Os cabos com conectores XLR usam macho em uma extremidade e fêmea na outra (Fig. 2.e);

 

Deve-se procurar usar sempre os materiais mais resistentes, principalmente quando se tratar de instalações sujeitas a mudanças frequentes, como o uso no palco. Os jacks, por exemplo, podem ter capa de plástico ou de metal, sendo esta última melhor (e mais cara). Alguns plugs possuem uma luva que protege o cabo ao entrar no plug, evitando que ele seja dobrado ou forçado (nos jacks de capa metálica, essa luva é feita com uma mola flexível).

Figura 2 - Tipos de plugs

 

Cuidados e precauções

 

Use sempre o cabo adequado à cada aplicação. Improvisar soluções, ainda que em situações de emergência, acaba comprometendo o resultado final de todo o trabalho. Comparado com os demais componentes de um sistema musical, o cabo é uma peça extremamente barata, e por isso economizar nele não parece ser uma atitude racional. O ideal é ter-se sempre um cabo reserva de cada espécie, para uma eventual necessidade.

 

O manuseio dos cabos também deve ser de forma adequada, para que a sua durabilidade seja maior. Nunca se deve retirar uma conexão de um equipamento puxando pelo cabo, mas sim pelo corpo do plug, que é feito para isso. O ato de puxar o cabo submete-o a um esforço para o qual não foi projetado, o que pode acarretar em rompimento dos condutores internos, ou então

- o que é mais provável - rompimento da solda do cabo no plug.

 

Na ocasião do projeto das instalações dos equipamentos, é importante considerar alguns aspectos que podem ser úteis. O primeiro seria o dimensionamento correto de todos cabos, evitando usar cabos curtos demais (que vão ficar esticados, e se transformarão em fonte de problemas, como ruptura ou danificação dos plugs), ou longos demais (que "embolarão", dificultando sua movimentação futura). É de grande utilidade etiquetar as extremidades dos cabos, o que facilita sobremaneira na manipulação das conexões. Os cabos também devem sempre ficar livres (soltos) sem pesos em cima, ou qualquer outra coisa que possa dificultar seu movimento, quando necessário.

 

Uma outra prática que pode não só aumentar a vida útil, mas também facilitar o manuseio é enrolar-se sempre os cabos no mesmo sentido. Na maioria das vezes, os cabos vêm enrolados em forma circular, e por isso, seu material já está "acomodado" àquele formato. Usar um outro formato de enrolamento acaba forçando os condutores e respectivas camadas isolantes, fazendo o conjunto todo perder coesão, ou deformar-se. Deve-se sempre enrolar o cabo no formato e sentido de enrolamento "natural" que ele já tem. Isso, além das vantagens em relação à durabilidade, acaba também tornando o enrolamento mais fácil. Deve-se evitar também enrolar os cabos em círculos de raio muito pequenos, pois força mais o cabo.

 

Há um tipo de cabo, chamado de espiralado, que tem a aparência de um cabo de telefone. Este cabo é mais indicado para guitarristas e baixistas, que precisam de mobilidade e não desejam um "rabo" de cabo espalhado pelo chão, pois o cabo espiralado contrai-se e expande-se à

medida que é aforuxado ou esticado com o movimento do músico. A desvantagem do cabo espiralado é o peso que ele provoca sobre o músico (que incide mais sobre o plug) pois, como o cabo não fica largado no chão, mas sim pendurado, a massa total acaba sendo carregada pelo músico. Esse tipo de cabo não é recomendável para uso em instalações fixas de estúdios e palcos, pois suas espiras acabam se prendendo nos outros cabos ou obstáculos, dificultando muito o manuseio nas instalações.

 

Faça você mesmo

 

Para quem quer aprender a consertar ou montar seus cabos, aqui vão algumas dicas e técnicas na "arte" de soldar cabos e plugs. Para isso, é necessário ter-se algumas ferramentas básicas, como um ferro-de-soldar (para eletrônica), um sugador de solda (não é essencial, mas ajuda bastante), um alicate de bico fino, um alicate de corte (ou tesoura) e, obviamente, um rolo de solda. Todas essas ferramentas são facilmente encontradas nas boas lojas de material eletrônico, e os preços variam conforme a qualidade do produto.

 

Uma regra básica para qualquer montagem eletrônica - e isso inclui a montagem de cabos - é que um serviço mal feito acaba tendo que ser refeito. Deve-se sempre ter em mente que um trabalho "matado" hoje provavelmente vai ser um problema (ou um desastre) no futuro. Portanto, atenção e primor são essenciais para um resultado perfeito.

 

Quando for consertar um cabo, preste atenção no defeito que ele apresenta. As falhas mais frequentes são por causa de interrupção de condução, que pode ser causada por uma solda solta do condutor no plug ou mesmo pelo rompimento de um condutor. Se o problema é a solda, a solução é simples, e veremos como fazê-la, mais adiante. Se aparentemente não há qualquer solda solta, verifique se algum condutor está encostando no outro. Às vezes um dos pequenos fios de um dos condutores está tocando o outro, provocando um curto-circuito entre eles. Se for isso, ou corte devidamente o "fiozinho rebelde", ou refaça a solda do condutor, juntando bem todos os fios dele antes de soldar.

 

Se nenhuma das evidências citadas for detectada, então o problema pode ser a ruptura interna de condutor, em algum ponto ao longo do cabo. A solução para esse problema é ir cortando pedaços (digamos, de cerca de 3 cm) de cada extremidade do cabo, alternadamente, até voltar a haver condução. Calombos, dobras pronunciadas ou falhas sensíveis (ou visíveis) no encapamento externo são pontos suspeitos: flexione e entorte o cabo seguidamente, em diversos pontos ao longo do seu comprimento, verificando se a condução é restaurada quando se mexe em algum trecho. Se isso ocorrer, provavelmente a ruptura está naquela região.

 

Para se testar a condução no cabo, pode-se usar um multímetro eletrônico, usando-se a função de teste de resistência (ohms) e aplicando-se as pontas de teste em cada extremidade do condutor, que deverá acusar resistência igual zero. Há multímetros com funções específicas para testar condução, indicando com sinal sonoro. Um dispositivo rudimentar para se testar a integridade dos condutores de um cabo é sugerido na Figura 3. (Ao testar o cabo, deve-se prestar atenção se as extremidades testadas são do mesmo condutor !).


 

Figura 3 - Dispositivo rudimentar para se testar a integridade dos condutores em um cabo

 

Caso você decida consertar ou montar seus cabos, então aqui vão alguns lembretes e dicas importantes:

 

1.  Inserir as capas dos plugs no cabo. Após cortar o cabo no tamanho desejado, insira logo as duas capas dos plugs (uma virada para cada extremidade). Esse é um lembrete importante, pois será grande sua frustração ao terminar a soldagem dos plugs e verificar que esqueceu de enfiar as capas no cabo.

 

2.  Observar as posições de soldagem dos condutores. No cabo de áudio mono, o condutor deve ser soldado sempre no terminal interno (menor) existente no plug, enquanto a malha de blindagem deve ser soldada no terminal externo (maior). No cabo de áudio stereo, cada um dos condutores deve ser soldado nos terminais internos (menores), prestando atenção na cor de cada um (pois no outro plug, a posição de soldagem deve ser igual), e a malha de blindagem deve ser soldada no terminal externo (maior), da mesma forma como é no cabo mono. No cabo MIDI, a malha de blindagem deve ser soldada no terminal central, enquanto os condutores devem ser soldados, cada um, nos terminais adjacentes ao terminal central (os terminais extremos não são usados). Deve- se observar com atenção qual o terminal usado por cada condutor, para no outro plug adotar a mesma posição.

 

3.  Não deixar "solda fria". Ao soldar, verificar se houve uma perfeita fusão da solda, unindo perfeitamente o condutor ao terminal. A solda bem feita tem aspecto arredondado e brilho homogêneo. Caso a solda não derreta bem, não haverá perfeita aderência com o metal - a chamada "solda fria" - apresentando um aspecto irregular e pouco brilho (opaco). Antes de fechar o plug com a sua capa, verifique se os pontos de solda estão bem presos.

 

4.  Firmar o cabo no plug com a braçadeira. Tanto no plug de áudio como no de MIDI há internamente duas abas internas que servem para "abraçar" o cabo, oferecendo maior resistência caso o plug venha a ser puxado pelo cabo, evitando assim que os pontos de solda sofram esforços. O plug MIDI também tem uma trava que mantém a capa plástica presa à capa metálica interna, e que deve ser ligeiramente puxada pelo orifício da capa plástica.

 

Técnicas básicas de soldagem

 

Para se obter uma soldagem bem feita, é importante observar alguns requisitos, que podem evitar futuras dores-de-cabeça.

 

1.  Prenda as partes. Para facilitar o trabalho de soldagem, é conveniente fixar o plug numa mesa, usando alguma ferramenta adequada, como por exemplo um "grampo-

sargento" (aquela peça usada pelos chaveiros para segurar a chave). Pode-se montar

uma base de fixação para o plug usando uma tomada fêmea do próprio plug. Não é recomendável segurar com a mão o plug, pois ele pode aquecer durante a soldagem (o que o fará soltá-lo...).

 

2.  Deixe o ferro aquecer. A maioria das pessoas realmente não sabe que o aquecimento é o mais importante numa soldagem. Deixe o ferro-de-soldar aquecer no mínimo uns cinco minutos antes de iniciar a soldagem.

 

3.  Limpe as partes. É recomendável que as partes a serem soldadas sejam limpas, de forma a eliminar as impurezas (oxidações, etc) que podem prejudicar a soldagem. Raspe os terminais do plug com uma gilete ou faca. Verifique também se a ponta do ferro-de- soldar não está com acúmulo de solda. Deixe-o quecer e raspe a ponta com uma faca ou limpe-a com um pano ou esponja umidecida.

 

4.  Prepare os fios antes de soldar. Antes de soldar os condutores nos terminais, enrole seus pequenos fios, formando uma trança espiralada, e depois derreta um pouco de solda sobre eles. Isso faz com que os fios não se separem e ao mesmo tempo torna-os rígidos, o que facilita o manuseio na soldagem.

 

5.  Use o calor, não a força. O segredo da soldagem é o aquecimento da solda e das partes.

Para soldar um fio no terminal de um plug, posicione o fio no ponto onde ele deve ser soldado no terminal e encoste a ponta do ferro-de-soldar em ambos (fio e terminal), de

forma a aquecer os dois. Logo em seguida, aplique o filete de solda junto à ponta do

ferro, na região onde ele toca as duas partes, e deixe-a derreter de forma a cobrir o fio e aderir no terminal. A solda quando bem feita adquire um aspecto esférico e brilhoso. Não

use nem muita nem pouca solda: com pouca solda não será possível criar uma película

envolvendo toda a região, o que não garante aderência adequada; com muita solda, corre-se o risco dela escorrer e fazer contato com outras partes que devem estar

isoladas. Quando a solda fica opaca, sem brilho, é sinal de que não houve uma boa fusão do material - a chamada "solda fria" - que certamente acabará soltando.

 

6.  Ao terminar, desligue o ferro. Nunca se esqueça disso. Muitos acidentes já aconteceram por causa da pressa. Ao encerrar a soldagem, desligue o ferro-de-soldar da tomada,

limpe sua ponta e guarde todo o material. Como em qualquer outra atividade, também na soldagem de um plug a organização e a atenção são ítens importantes.

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