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"Think different"

25.12.2016

 

É provável que poucos amigos se lembrem ( ou tenham conhecimento ) da referida campanha publicitária. Está prestes a completar 20 anos. Antes que alguns exaltados pensem ser uma menção idólatra ou algo do gênero, um pouco dos fatos: tanto o slogan quanto o emocionante comercial de tv "To the crazy ones" https://youtu.be/8rwsuXHA7RA , não são uma criação de Steve Jobs. A essência ideológica do comercial e o brilhante slogan foram uma criação de Craig Tanimoto, um dos diretores de arte da agência TBWA/Chiat/Day na época. Toda a campanha foi capitaneada por Lee Clow, juntamente com Rob Siltanen e sua visão realmente inspiradora, além da colaboração e participação de toda uma equipe.

Steve como sempre, foi um grande catalizador desses talentos. A motivação para o slogan de Tanimoto? Foram em verdade, duas. A primeira, previamente incutida no subconsciente de amantes do Mac como o próprio Craig: desde o emblemático comercial "1984" https://youtu.be/VtvjbmoDx-I , Steve adotou a idéia de polarização em que o Macintosh era a oposição redentora ao suposto monopólio tecnológico da IBM ( e posteriormente da Microsoft e seu Windows ). A analogia com o "Big brother" de George Orwell selou essa comparação. Ciente desse embate, Craig se deparou enfim com sua motivação decisiva, o slogan comercial da IBM, reforçado na divulgação do ThinkPad. Estabeleceu assim sua antítese: o slogan da IBM era " Think IBM ".

Ele então criou o " Think different " para a Apple. O tocante texto do vídeo foi idealizado em sua essência por Rob, inspirado num perfil de manifesto apresentado no filme "Sociedade dos poetas mortos" ( 1989 ). O texto final do comercial foi reunido por Ken Segall.
 

O resto é história...
Comprei meu primeiro Mac nessa época. 
Após uma frustrada experiência com meu primeiro computador ( um "IBM PC" turbinado com controladora e drives SCSI além do novíssimo Intel Pentium e Windows95 ), concluí que só conseguiria gravar audio em paz no "famoso" Macintosh. Detalhes e verdades à parte, consegui o que queria. Ao longo desses 18 anos aproximadamente jamais cogitei uma mudança. Apostei nesse "pensar diferente" e apesar das inúmeras dificuldades que enfrentei ( com um equipamento que quase ninguém possuía por aqui, morando no interior e em tempos de internet discada ), jamais me arrependi. Mas a verdade é que esse processo me custou muito, cronológica e financeiramente. Várias vezes fui chamado de louco por amigos. Talvez eu tenha sido louco de fato. Não só nessa escolha mas em inúmeros episódios ao longo da vida. Por isso a lembrança do comercial da Apple.

Duas "loucuras":

 

1. Desde o início de minhas experiências com DAWs ( outros 18 anos ) escolhi algo diferente da maioria, MOTU Digital Performer. É sabido por todos nós que a maioria absoluta do mercado optou por outras plataformas. Os motivos para isso são inteiramente compreensíveis. Os meus por outro lado, eram totalmente particulares. Meus critérios profissionais sempre foram os mesmos: segurança, eficiência, versatilidade e distinção. Associando-se a isso minha falta de recursos, todas as minhas escolhas de equipamento precisavam "dar conta" do maior número possível desses critérios, ao menor custo disponível. Concluí à época então, que a MOTU era minha melhor opção ( hardware e software ). Mais uma vez, não me arrependi. O DP se transformou em minha principal ferramenta para shows e em estúdio. Apesar de meu isolamento da maioria na época, consegui manter minha escolha firmemente. Hoje, alguns dos maiores espetáculos musicais do planeta em termos de sofisticação tecnológica ( Madonna, Beyoncé, The Wall by Roger Waters, etc ) são "comandados" por ele ( Digital Performer ) e seus "Chunks", graças ao seu enorme poderio, flexibilidade e confiabilidade.

 

2. Fato é que nosso mercado se move em modismos: "... PA tal é que é top" ( me incomoda muito essa "exclamação": TOP! ), "... mesa tal é que é a f...", etc,etc. Lamentavelmente, a grande maioria dessas "opiniões" não passam de uma repetição alienada e tendenciosa. Tenho passado minha vida questionando-as. Nessa psiquê de "boi de manada" nunca encontrei algo realmente inspirador ou inovador. Tratando de PAs especificamente, a grande maioria desses "consensos de mercado" no Brasil se referem a sistemas que nada acrescentaram de fato. Foram em sua maioria, adaptações caricatas de sistemas pioneiros e assim continuam sendo. Mas existem antíteses nesse quadro também. Há 10 anos aproximadamente me interessei por um sistema: EAW KF760. O sistema era uma variação ( adaptada ao mercado de locação ) do KF860, um sistema idealizado e produzido para instalações fixas em arenas utilizadas na olimpíada de Sydney na Austrália em 2000. De imediato, algumas virtudes singulares desse sistema chamaram a atenção: um poderoso impulso acústico semelhante aos sistemas point source que utilizávamos ( KF850 por exemplo ) e uma capacidade única em cobrir longas distâncias ( bem acima de 60 metros ) com boa estabilidade tonal e um inacreditável SPL. No início, logo que o mencionei a alguns profissionais, fui desacreditado pela maioria. "Bobagem" diziam, "... pouca gente tem" era o argumento. De fato, os que ouvimos no Brasil em sua maioria eram desanimadores ( pelos mais diversos motivos ). Algum tempo depois entretanto, na companhia de grandes amigos, começamos a refinar os ajustes de um desses sistemas. Nesse momento ele tem provado ser muito acima da média. Mas o fato é que o mercado ( não só o brasileiro ) nunca teve muita simpatia por ele. No Brasil especialmente, não sem razão. Mas mesmo na América, alguns dos melhores profissionais de PA não morriam de amores pela 760. Então, anos depois surge o MLA. Não subestimando todo o histórico da Martin e muito menos sua vocação em pioneirismo, o MLA adotou tudo o que fazia do 760 diferente e o fez ainda melhor. Não há aqui nenhuma relevância em investigar os meandros dessa semelhança entre projetos das coirmãs do grupo Loud Technologies. Definitivamente não importa. O que importa está nos projetos: um grave bandpass dipolar e demais vias "carregadas" em corneta ( cada qual com sua particularidade ). É essa abordagem que os relaciona entre si e os difere dos demais. O que a Martin acrescentou, além de toda evolução circunstancial em componentes e demais periféricos, foi justamente algo que a EAW só aplicou posteriormente, no lançamento do Anya e familia: controle individualizado de fase, amplitude e curva para cada transdutor/seção da caixa. Resultado? O MLA encanta a maioria dos profissionais que o utiliza, seja pelo enorme alcance em distâncias, seja pelo poderoso e inteligível impulso acústico. Todas essas virtudes estão no DNA do 760. Sempre estiveram, mas agora isso é sabido por uma fatia bem maior do mercado.

 

Eis o que pretendo salientar: um conceito brilhante não produz necessariamente sucesso imediato. Elementos diversos conspiram ou não para que aquela idéia se transforme em algo extraordinário. É necessária certa distinção para uma leitura correta desses eventos e uma bravura incomum para ousar com o novo. 
Steve Jobs percebeu por exemplo, que o conceito de interface gráfica idealizado por engenheiros da Xerox mudaria para sempre o mercado de computadores pessoais. Enxergou também o Walkman ( e posteriormente o Discman, ambos da Sony ) como embrião de uma das maiores revoluções já provocadas pela Apple. 
Para mim, a estabilidade dos primitivos Performer e AudioDesk ( embriões do DP ) me convenceu de que seriam os mais seguros e confiáveis para o futuro. O DP nunca foi dos mais simples de usar, mas esse preceito fundamental ( confiabilidade ) o tornou a escolha número um, em shows ao vivo pelo mundo. Confiei tanto, que há 15 anos tive a idéia de utilizá-lo como um host de plugins em uma mix ao vivo com console analógica. Fiz 10 inserts numa MIDAS Heritage1000. Nem um estalo sequer. Hoje em dia, utilizo em shows dezenas de Chunks. Cada um rodando dezenas de canais de áudio, além de MIDI para sincronismo de luz e video. 
O KF760 me convenceu de seu potencial, logo na primeira leitura que fiz do "white papper" preparado pela EAW sobre ele. Entretanto, muitos ao redor do mundo não obtiveram o melhor dele ( alguns poucos sim ). Mas o conceito enfim, se provou vencedor no mercado com o advento do MLA. 
Diante de tudo isso, o que fica para mim é o que foi exposto no comercial de 20 anos atrás e que também já havia sido salientado por Ralph Waldo Emerson: "Ser grande é ser incompreendido". Ou ainda: "... porque aqueles que são loucos o suficiente para acreditar que podem mudar o mundo, são os que de fato o mudam". 
Eu escolho essa loucura. Eu escolho aplicar uma segunda vista em cada idéia, em cada produto, e escolho para isso o conhecimento e a lucidez como lupa, não o senso comum. Eu escolho pensar em contraponto à maioria, para que exista sempre a possibilidade de questionamento sobre unanimidades estúpidas. Eu escolho tocar em feridas para que nosso mercado seja saudável de fato. Eu escolho trabalhar incessantemente para que não haja em mim conformismo e acomodação. Muito provavelmente não haverá genialidade também, mas haverá sempre distinção. 
Deixo aqui meus votos de que essa chama se acenda em cada um de vocês no ano que está por vir.

 

Boas festas e um inspirado 2017! Bom som!

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